sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Amigos nas Américas: o desenrolar do Canadian Open 2014 (2/3)

Continuando com muito atraso...

No final da primeira jornada, o nosso staff técnico fez um tremendo trabalho de recuperação psicológica.


Bastou um belo jantarinho para eu ficar totalmente mentalizado que a minha dolorosa e humilhante derrota tinha sido uma espécie dos nossos típicos Gambitos Sobremesa, e tudo ficou preparado para a inversão dos acontecimentos no dia seguinte, dia de jornada dupla que começou muitíssimo bem com um brunch impecável antes da partida das 11:00 horas.

Como "depressa e bem há pouco quem", o nosso staff técnico, que assumira pela primeira vez tais funções, desconhecia com rigor os poderes da magia apaxe.
 
E como não pouparam esforços para que a situação da primeira jornada se invertesse, o processo de inversão correu bem demais:
 
1) O meu adversário da primeira jornada, que me deu aquela coça que está no outro post, nunca mais apareceu no torneio e acabou com um ponto em nove (ou então, hoje em dia, amassar um apaxe está muito overated, já vale um torneio inteiro!);
 
2) Eu ganhei os dois jogos de domingo, recuperei a confiança e ganhei alguma forma;
 
3) A Cláudia também inverteu e depois do início vitorioso, empatou um jogo em que estivera melhor e, já sem resistência para a partida da tarde, foi batida por Guipi Bopala, uma promessa do xadrez canadiano com 7 anos e 2 semanas (o rigor etário das crianças é tramado! Pior só a sinceridade: depois de precisar a idade à semana, à pergunta "O teu jogo com ela, como foi?", limitou-se a olhar para o pai, encolher os ombros e fazer uma careta ao mesmo tempo que dizia "Fácil!".

Eis os destaques da ronda dupla:

Ronda 2

Cláudia vs Daniel Brossard

 
As Brancas jogaram Dxd8.
 
Te6 prometia coisas melhores :)
 
As coisas evoluíram e...

 
As Negras jogam Re6 e o final de torres vai acabar empatado.


Tiago vs Shao Hang He


42. a6 Bxa6
e o xeque intermédio resolve:
43. Bf6+ Bg7
e o Bispo bom entra em cena para ganhar o final
44.Bxe6 h6 45. Bxf5


Ronda 3

Guipi Bopala - Cláudia


Aquele Cb4 está mesmo a pedi-las e o miúdo dos 7 anos e 2 semanas não perdoa...
7. Da4+ Cc6
8. Bxf6 exf6
9. d5 (sayonara Cavalinho!)


Alexander Young vs Tiago


A posição branca não é famosa mas elas decidem fazer all in!
15. h4?? hxg5
16. hxg5 Dh5+
e não há mesmo mate para ninguém!


Esta cansativo dia de jornada dupla - não consigo gostar deste sistema que poupa um dia à competição (e dinheiro à organização e aos participantes - quem gostar, tem um óptimo em Lisboa, no Natal, organizado pelo Carlos Carneiro), mas obriga a dedicar entre 6 a 10 horas de um dia à jogatina, pouco mais sobrando para o extra-xadrez que, paradoxalmente, é o que leva alguns jogadores a participar nestas provas - foi duro também para a organização, não se vá pensando que há coisas que só acontecem neste rectângulo à beira-mar plantado.
 
Sem antecipar o que aconteceu no último dia, quer o modo como terminou a minha partida, quer o modo como um miúdo de 12 anos cedeu à pressão no torneio de rápidas e reagiu à derrota declarada pelo árbitro com um urro digno de um cabrito desmamado, o início da terceira ronda da minha secção não só se atrasou mais de uma hora, como o ritmo da partida foi alterado do regulamentar 90 minutos para 40 lances mais 30 minutos KO, com incremento de 30 segundos por lance desde o início, para 90 minutos + 30 segundos / KO.
 
 
De qualquer modo, foi falha que não estragou a festa e o tempo livre serviu para deixar de alugar relógios (Em Roma sê romano, de maneira que comprámos um DGT North American Edition para levar debaixo do braço para o tabuleiro), perceber o nível de dedicação das chess mums que pouco percebem de tácticos e estratégias mas dominam muito bem - e com que entusiasmo! - os critérios de emparceiramento e os níveis ideais de açucar no sangue dos seus jovens competidores.


Para a quarta jornada, segunda-feira, o nosso staff técnico adiantou-nos instruções detalhadas que nos permitissem sobreviver ao dia em que, pela primeira vez, estaríamos por nossa conta e risco, em virtude das obrigações profissionais de quem não estava de férias.
O programa das festas, muito científico e cuidadosamente construído, incluía 5 kms diários de bicicleta e mais uns quantos a pé, várias refeições leves por dia em locais sugeridos, bem como diversos spots turísticos para ir apreciando durante o caminho. O contacto entre a comitiva estava sempre assegurado por telefone e internet durante o dia, e à noite tinha lugar a reunião da tribo canadiana que depois remetia o relatório para Portugal.

 

No que diz respeito à nossa performance desportiva, a quarta jornada encontrou-nos perfeitamente preparados. Entrámos no F. Queen Elizabeth Hotel com o nosso próprio relógio na mochila, um agasalho para combater o ar condicionado e calçado que fazia sentir que tínhamos chegado ao local de jogo de carro, que não com vários quilómetros de bicicleta e marcha nas pernas. Estávamos completamente inseridos no meio, pois ao lado de um senhor que caminhava com um cajado, de um gigante de dois metros, cabelos grisalhos pelos ombros, calções, sandálias e um saco de pano pendurado ao pescoço, este apaxe apresentava-se com umas nike de corrida verde flurescente, pólo colorido e um casaco com letras multicolores a dizer "Life is better in Algarve".


 
A Cláudia, que só por uma vez não teve que aguardar que eu terminasse o meu jogo, fez muito facilmente uma série de amigos, desde a catraiada que lhe levava as peças e nos dias seguintes lhe agradeciam os festins com "hi fives" por entre correrias e a descida das escadas rolantes através do corrimão, até aos mais velhos com os quais partilhava as mesmas dores de serem trucidados por miudagem que por mal saber escrever, apontava as partidas graficamente com gadgets electrónicos como o Mon Roi. De entre estes, destaca-se o John, responsável pelo site www.toplessmontreal.com (a este podem aceder à confiança que, apesar do domínio, o conteúdo, embora descapotável, é diferente do referido no post anterior), que foi experimentar jogar um torneio de xadrez para descobrir melhor o jogo e verificar as reacções das pessoas em situação de competição e stress.

Fisicamente activos e socialmente integrados, os nossos jogos fluiram naturalmente, tendo a Cláudia conseguido culminar o seu ataque num xeque-mate e eu, apesar de não ter encontrado esse caminho vitorioso, travei uma boa batalha com o David Pena Frasier - creio que foi a minha partida mais interessante, embora a minha técnica não se tenha mostrado suficientemente desenvolvida para a vantagem de um peão ter frutificado em mais que na divisão do ponto que pontuou um justo empate.


As negras tentam um truque:
28. ... d4
(se 29. cxd4 Txc1 é mate!)
Mas a Cláudia está em forma...
29. Df5!
(ameaça mate em h7 ou capturar a Tc8) 

Loading embedded chess game...

A segunda-feira correu de tal modo bem que não houve qualquer resistência em adoptar a mesma rotina no resto da semana.
Completamente fãs da cidade, os dias seguintes gozaram-se com revigorante tranquilidade. O sistema público de bicicletas, conjugado com as centenas de quilómetros que lhe são dedicados e articulado com o funcionamento pontual dos autocarros e a eficiente rede de metro, fazem com que a mobilidade nunca seja um problema. A sociedade está muito bem estruturada e embora me tenha parecido ver mais pedintes que no ano passado (ainda assim, nada comparado com o que se passa em Portugal), continua a ser marcante como a generalidade das indústrias (restauração, vestuário, hotelaria, comércio...) emprega pessoas com mais de 50 anos, sendo igualmente impressionante o elevado número de bébes e crianças que passeiam e brincam com os pais nas ruas e nos jardins a partir das 16:30 horas.
Apesar de as pessoas trabalharem o mesmo número de horas em Montreal que se trabalha em Portugal, o dia de trabalho começa antes das 9:00 e termina por volta das 17:00, o que permite usufruir - e muito - a cidade, seja através do desporto (jogging, ciclismo e skate, mas também ténis, futebol e... vólei de praia!) nos diversos parques e jardins nos quais os esquilos vivem à vontade e os cães têm amplas zonas vedadas que lhes são dedicadas, seja através dos piqueniques - são às dezenas, todos os dias em todos os parques.
 
Ronda 5
 
Alexandre Carou (Roménia) vs Cláudia
 
 
Os dois intervenientes noutro dia, daí as cores trocadas.

 
A Cláudia tentou simplificar e propôs a troca dos Cavalos.
O Alexandre faz de conta que não vê...
21. Df3
E a gulosa vai ao pote...
21. ... Cxc3
22. Dxf7+ Rh8
23. Dxe8#
 
Perdeu mas foi de barriga cheia!
 

Edward Selling (EUA) vs Tiago

 
As brancas decidem começar o festival das trocas...
... e as negras agradecem.
 
11. c5? bxc5
12. Bxe4?? fxe4
13. Ce5 Bxe5
14. dxe5 axb3
15. Cxb3

 
agora é ir empurrando e comendo...
 
15. ... c4
16. Cd4 Txa2
17. Ta1 Txa1
18. Bxa1

 
empurrar...
 
18. ... c5
19. Cc2 Da5+
20. Rf1 Cc6
21. f4 exf3
22. gxf3 

 
... e comer
 
22. ... d4
23. exd4 cxd4
24. Bxd4 Cxd4
25. Cxd4 Da1+
 
0-1


O bom nível de vida generalizado é também visível no facto de nesta cidade com cerca de um milhão e meio de habitantes as bicicletas ficarem estacionadas na rua e não desaparecerem com frequência, as portas das casas estarem muitas vezes entreabertas e as janelas não se encontrarem frequentemente protegidas por cortinados.
Para este modo de vida deve contribuir o facto de os serviços públicos de prevenção e segurança estarem bem equipados e funcionarem: bombeiros e polícias conduzem verdadeiros aviões, têm porte atlético e estão amplamente equipados, além de levarem a sério o cumprimento do seu serviço - vi um sinaleiro autuar um peão que atravessou na passadeira mas em desobediência ao apito.

Ronda 6:

Na entrada para a recta final da prova:
- A Cláudia estava com 2,5/5, o que a deixava no grupo dos 29.º em 72 participantes (era a n.º 70 do ranking inicial da secção E);
- Eu tinha 3,5/5 e devia estar no grupo dos 13.º classificados. A secção C tinha 98 jogadores e eu era o 21.º do ranking inicial.

Laurianne Roussel vs Cláudia

 
A energia da Cláudia estava a dar de si nesta fase do campeonato...
Para defender a pregagem, as brancas jogam
11. Be2
e as negras complicam com
11. ... c5
12. Cxd4 cxd4
13. Cb5 e as negras esquecem-se do Bg4
13. ... Bc5?
14. Bxg4 Cxg4
15. Dxg4 ganhando a peça.
 
 
Tiago vs Ronald Moore  

 
Com um peão a mais, quero trocar peças, não fazer uma corrida pelo escalpe...
 
16. ... g4
17. Cc4 Dh5
18. fxg4 Cxg4
19. Dxf5+ Dxf5
20. Txf5
e no final comi os peões negros ;)

Montreal estava repleta de eventos culturais, muitos deles de acesso gratuito. Para terem uma ideia, durante estes dias fomos ao festival "Noites de África", ao "Just for laughs", ao "Mondial des Jeux" e assistimos à competição internacional de fogos de artifício - tudo sem bilhete de entrada.
Quanto a curiosidades, no Canadá os concertos começam às seis e meia da tarde - e as pessoas já vão jantadas! -, e como os arrendamentos anuais são muito frequentes, as pessoas põe no lixo electrodomésticos, mobiliário e utensílios com papéis a dizer "ça marche" que os vizinhos levam para casa para substituir os seus que por sua vez vão para o passeio com igual "funciona"! Outra forma muito habitual de esvaziarem a casa ou os armários é através de vendas de garagem que são anunciadas em folhas A4 manuscritas coladas com fita cola nos postes de electricidade.


Nesta altura do campeonato já estávamos em piloto automático. A Cláudia, mais cansada, teve uma série negra, enquanto eu fui vendo com alguma surpresa que mesmo os oponentes que ainda estavam invictos no torneio, apesar de terem bons instintos atacantes, não tinham grande sentido de perigo e caminhavam com alguma naturalidade para os poços que eu ia cavando...

Ronda 7:

Cláudia vs Ziyi Zhong

 
Com veneno, as negras jogam
10. ... c5
As brancas são uma Apaxe En Passant
11. dxc6
E en passant vai também a Dama branca
11. ... Bxh2+
12. Rxh2 Dxd4
 
 
Christopher Baumgartner (EUA) vs Tiago
Esta vai completa em homenagem ao Josh
 
Loading embedded chess game...

 
Outra informação muito importante: em Montreal a venda de álcool está sujeita a licenciamento e só alguns restaurantes e supermercados é que o vendem. Antes das 5, 6 da tarde só nos vendem uma cerveja se também pedirmos qualquer coisa para comer. Como o vinho é caro, alguns restaurantes têm anunciado nas montras, ao lado dos pratos do dia, «Traz a tua garrafa»!
 
 
Penúltima jornada:
 
Anthony Atanasov vs Cláudia
 
 
 
Aqui fica para quem a perceber :)
 
 
Tiago vs Michael Chang
 
 
mesa 2 na penúltima ronda...
só se pode mentalizar para o escalpe!
 
 
 
Era preciso libertar o potencial branco.
13. e4
e as negras enganam-se
13. ... dxe4?
14. Cxe4 Db6
15. Cfg5 Cgf6
16. dxc5
 
com um peão a mais, avançamos umas jogadas:


22. Cd6 Dxc5
adeus peão?
23. Cxf5 Dxf5
24. Bd6 Dg5
25. Bxf8
olá, torre!  
 
e um pouco mais à frente:

 
28. Tbxf7 Cxf7
29. Txf7 Dd8
30. Td7+
1 - 0
 
Rumo à luta, pelo título!
Com esta vitória ia subir da mesa 2 para terminar o torneio na 1.
 
Todas as incidências no próximo episódio ;)
 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Amigos nas Américas: de Manhattan ao Open do Canadá. (1/3)


Já o poeta dizia qualquer coisa como "O Josh manda, o escriba quer, o post nasce". Depois de ter encomendado a dança APAXE da vitória (quem viu a dele ainda hoje se lembra da sua extraordinária coordenação motora), o mais-Apaxe-de-todos-os-Apaxes, cioso de pormenores sobre o desempenho da Cláudia - afinal ele foi um dos seus parceiros de treino mais habituais nos jogos por correspondência (tal como o Tito, o Afonso e o Jaime) -, lá concluiu que o Open do Canadá "merece uma crónica". Recado recebido, vamos a ela, directamente do A-310 da Air Transat que faz a ligação semanal Montreal-Lisboa-Porto, tal como prometido ao Senhor Machado!
Começando pelo princípio, a ideia de jogar um torneio no Canadá surgiu no Verão do ano passado. Em Agosto de 2013, eu, a Cláudia, a Sara e a Lurdes fomos visitar o Vasco e o Luís a Montreal onde nos apercebemos do potencial xadrezístico da cidade. Além de ser a localidade onde, de acordo com o site do echecsmontreal.ca, seis do seu milhão e meio de habitantes são Grandes Mestres de xadrez (e onde nasceu o nosso conhecido GM Kevin Spraggett que vive(u?) em Portugal), a ligação da cidade ao jogo é visível, por exemplo, em diversas lojas e cafés que dão grande destaque à modalidade.


Apesar de termos visto vários torneios anunciados, como o Open do Québec, nenhum deles se encaixava no nosso calendário de férias. Ainda assim, demos uns xeques na Boutique Stratégic e no Café Pi e, numa visita de fim de semana a Manhattan, a tribo apaxe juntou-se ao New York City Chess Meetup Group e recolheu o escalpe de um nova-iorquino na Trump Tower, técnica que este ano aplicámos a outros estado-unidenses no Open do Canadá.


Avançando para chegar ao que interessa, este ano a marcação das férias foi ligeiramente adaptada de modo a que a visita à tribo canadiana dos apaxes pudesse incluir a participação num torneio. Pela sua calendarização, organização e dimensão, o Open do Canadá foi a prova escolhida: os oito dias de prova lá se encaixaram nos nossos dias de férias; o local de jogo seria no Grand Salon do Fairmont Queen Elizabeth, um hotel de cinco estrelas situado na baixa de Montreal, a cerca de 5 kms do acampamento apaxe; o Open estava dividido em 5 secções, dos sub-1300 aos 2400+, passando pelos sub-2000, o que significava a possibilidade de cada um nós disputar 9 partidas equilibradas; finalmente, este ano o Open do Canadá incorporou o Open do Québec, estando em jogo $25.000, distribuídos por todas as secções e em várias categorias, como melhor sub-1900, melhor jogador sem elo (ranking do xadrez) ou melhor jogadora, o que sempre cria a ilusão de ser possível juntar o útil ao agradável!


Conhecedores do modus operandi da tribo apaxe do Minho, o Vasco e o Luís elevaram a fasquia organizacional para níveis nunca antes sonhados por uma delegação apaxe. Assumindo a pasta da logística, asseguraram um vôo directo (o ano passado, a passagem por Casablanca foi caricata...), a melhor estadia, uma excelente preparação física e psicológica, e uma extraordinária adaptação gastronómica, onde não faltou vinho americano (das Américas, não do nosso proibido!, um dos quais não ficava atrás do Conventual, a bebida energética oficial dos nossos estágios para as provas da Associação de Xadrez de Braga) e a introdução à poutine, uma espécie de batata frita com todos a fazer lembrar as francesinhas da Taberna Belga e de Dume.


Face a este exemplo da tribo do Canadá, umas semanas antes do Open tratámos de fazer uma preparação técnica muito profissional (no critério apaxe, para que não haja enganos). A Cláudia passou a jogar por correspondência com apaxes e não só, por vezes comentando as posições comigo e, não uma, não duas, mas três vezes por semana, em média, resolvia três problemas tácticos! Eu tirei o pó a dois ou três livros da estante, inscrevi-me em dois torneios por correspondência e passei a leitor diário do blog do GM Spraggett («Canada's Top Chess Website»), onde tentava fazer os 5-seconds tactics do dia (às vezes em 5 minutos, outras sem sucesso algum), além de me ir familiarizando com os quiproquós e o who's who do xadrez canadiano (e não só, "vocês sabem do que eu estou a falar", embora tenha logo reconhecido o GM Sambuev quando me cruzei com ele).

Outro exemplo do profissionalismo do Luís, aqui na preparação do acampamento apaxe de Loulé.
Antes do início do torneio, as expectativas na comitiva apaxe iam no sentido de a Cláudia (com o Luís como segundo) lutar pela melhor classificação de um jogador sem elo nos sub-1300 (havia 16 xadrezistas sem presença nos rankings FIDE, CFC, FQE e USCF entre os 72 que se inscreveram nesta secção) e, eventualmente pelo de melhor jogadora, apesar de ela sempre ter dito que a sua meta eram os 3,5 pontos.
Já eu, com o acompanhamento do Vasco, tentaria bater-me pelo lugar de melhor sub-1900, uma vez que era o jogador mais cotado nesta categoria na secção sub-2000 e o 21.º do ranking inicial entre os 98 participantes, isto apesar de esta época só ter jogado uma partida em ritmo clássico, no último fim de semana do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão, prova em que a equipa do Grupo Desportivo e Recreativo Amigos de Urgeses conseguiu a subida à 2.ª Divisão nacional que se disputará em 2014/2015, depois de ter vencido a série A em igualdade pontual com o segundo classificado.


Chegados ao local do jogo, o choque de realidades foi devidamente amparado pelo nosso staff técnico: o Luís acompanhou a Cláudia, mesmo no tabuleiro, até ao início da partida, e o Vasco foi o meu tradutor pessoal - em Montreal fala-se francês e inglês indistintamente, por vezes na mesma frase, mas o francês do Québec só por mera coincidência é perceptível a quem apenas domina o básico do europeu... e no Canadá, jogador das brancas que não leve o relógio e esteja nos tabuleiros dos GM especiais (os Grandes Morcões, não confundir com os Mestres), corre o risco de ter que alugar um à organização do torneio ($5, no caso).

Selfie da comitiva apaxe antes do início da primeira jornada.

A primeira jornada confirmou as expectativas iniciais. O Luís e a Cláudia começaram por assustar o adversário (um menino romeno de não mais de 10 anos acompanhado pela avó) com uma longa mas comum frase de circunstância apaxe que remonta há muitos séculos atrás, quando os nossos antepassados tribais comunicavam numa fórmula mais próxima do latim e que actualmente se mantém foneticamente semelhante em português e romeno. É ela a seguinte:

"Com um quilo de carne de vaca e um litro de vinho não se morre de fome!"
 
Descrentes? Podem experimentar à vontade! O GM Mircea Parligras (que está na Noruega para disputar as Olimpíadas de xadrez integrado na selecção romena e que já se disponibilizou a tentar jogar pela nossa equipa urgez'apaxe quando a gente tiver nível para participar numa competição decente), confirma!

Espírito Apaxe na elite do xadrez mundial. Temos que contratar este jogador!
Com o miúdo com certeza ainda a pensar no que lhe pareceu ter ouvido, a Cláudia fez uma grande partida que encheu de confiança a comitiva apaxe - tribo canadiana, como se pode ver pela bandeira que a organização nos atribuiu e que demonstra que o trabalho de adaptação dos apaxes louletanos efectuado pelo nosso staff técnico foi vraiment exceptionnel!

Jogadores intercontinentais com número na federação canadiana (ou do Québec?)
A partida glosou o mote, tendo incluído o sacrifício de um quilo de carne de peão ao 15.º lance que foi fundamental para preparar o barbecue - instrumento muito utilizado nos terraços de Montreal - que criou a possibilidade de concretizar um penalti de um litro de vinho à 21.ª jogada: Cxe6 merece um ponto de exclamação, embora o teor alcoólico da jogada não tenha permitido aproveitar da melhor maneira a resposta das negras. Ora vejam lá:

Play chess online

Enquanto a Cláudia espalhava magia na Secção E, na C eu também explorava a minha condição apaxe, só que em vez de avançar com a faca nos dentes e pintura de guerra, dei ampla liberdade à minha falta de tabuleiro, preguiça e incapacidade de cálculo para experimentar o que o Luís sentiu depois de três viagens consecutivas na La Ronde, o parque de diversões de Montreal.


Para vosso divertimento pessoal, eis a chacina - e em miniatura! - que este vosso GM Grande Morcão sofreu por ter pensado (!verdade!) que não podia proteger o Rei, fazendo roque, no 8.º lance (ah e tal, Cg5, Db3 ou Bc4 e levo duplo em f7... alucinação que demonstra bem a qualidade da preparação e a forma com que cheguei ao torneio).
Play chess online

Continua para a semana com o brutal trabalho de recuperação psicológica do nosso staff!
E para que fiquem com a pulga atrás da orelha, para 2015, ano em que Loulé será cidade europeia do desporto, o staff apaxe disponibilizou-se a marcar as passagens aéreas Porto-Faro no caso de os apaxes minhotos quererem participar em alguma iniciativa algarvia.

domingo, 11 de maio de 2014

G.D.R. AMIGOS DE URGEZES VENCE SÉRIE A DO NAC. DA III DIVISÃO E ASSEGURA SUBIDA À II DIVISÃO


image 


A equipa do GDRAU assegurou uma difícil vitória na série A do campeonato nacional da 3ª divisão da época 2013/2014. Difícil porque a prova foi muito competitiva desde o seu início com três equipas a ambicionarem alcançar a liderança. A equipa vencedora só foi encontrada na última jornada. Para este desfecho foi necessário que nas duas últimas rondas a equipa do GDRAU vencesse máximo score ( 4-0 ) e esperar que a aguerrida equipa do Clube de Xadrez de Braga escorrega-se pelo menos num dos tabuleiros o que veio a acontecer.
Como se pode observar no quadro anexo as duas primeiras equipas terminaram em igualdade pontual ( 20 pontos ) tendo sido necessário recorrer ao 1º critério de desempate ( número de pts obtidos em todos os tabuleiros ao longo do campeonato ) que foi favorável ao GDRAU ( 22,5 ).

image
nac.3div.-2014
joao costa
Paulo Pinho - Taça AXDB-2014

sangria-5


Sangria-2
pica-3
E foi em ambiente de confraternização que celebramos mais esta saborosa vitória da secção de xadrez do GDRAU.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS!!!

A todos um Bom Natal e um óptimo Ano de 2014. São os nossos votos a todos os atletas, familiares e amigos.






sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MAGNUS CARLSEN é o novo Campeão Mundial de Xadrez

http://chennai2013.fide.com/
Magnus Carlsen: o novo campeão do mundo [Fonte: http://chennai2013.fide.com/]  

Ao fim de 10 jornadas, o jovem norueguês Magnus Carlsen venceu o match com o anterior campeão do mundo Anand. O grande mestre norueguês conseguiu vencer 3 jogos (dois de pretas), empatando todos os outros.

O resultado final ficou em 6.5 - 3.5, o que não deixa qualquer margem para dúvidas quanto.

Todas as informações sobre o campeonato do mundo podem ser encontradas no sítio oficial.

Resta-nos dizer:
 Muitos parabéns, Carlsen!

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 10

Carlsen (0.5 - 0.5) Anand

Magnus Carlsen é o novo campeão do mundo.

Resultado final: Anand (3.5 - 6.5) Carlsen.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 9

Anand (0 - 1) Carlsen



Com esta vitória, Carlsen fica numa posição extremamente confortável e amanhã bastará empatar para se sagrar o novo campeão do mundo.

Resultado actual: Anand (3 - 6) Carlsen.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 8

Carlsen (0.5 - 0.5) Anand

Resultado actual: Anand (3 - 5) Carlsen.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 7

Anand (0.5 - 0.5) Carlsen

Resultado actual: Anand (2.5 - 4.5) Carlsen.

sábado, 16 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 6

Anand (0 - 1) Carlsen

Resultado ao fim de seis rondas: Anand (2 - 4) Carlsen.

O próximo jogo realiza-se segunda-feira.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 5

Carlsen (1 - 0) Anand


Resultado ao fim de cinco rondas: Anand (2-3) Carlsen.


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 4

Anand (0.5 - 0.5) Carlsen


Ao fim de quatro rondas, o campeonato encontra-se empatado (2-2).

O próximo jogo realiza-se na quinta-feira.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 3

Carlsen (0.5 - 0.5) Anand


Amanhã há mais.

domingo, 10 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 2

Anand (0.5 - 0.5) Carlsen


O próximo jogo realiza-se na terça-feira.

sábado, 9 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013 - Jogo 1

Carlsen (0.5 - 0.5) Anand

O primeiro jogo terminou com um emapte em apenas 16 lances.


Amanhã realiza-se o segundo jogo. Vamos lá ver o que Anand nos reserva com as brancas.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Campeonato do Mundo 2013

http://chennai2013.fide.com/


A primeira jornada do Campeonato do Mundo de Xadrez inicia-se já amanhã, Sábado, em Chennai, na India.
O Campeonato será disputado pelo actual Campeão do Mundo, o indiano Viswanathan Anand, e pelo actual número 1 da FIDE, o norueguês Magnus Carlsen.

A prova decorrerá de 7 (cerimónia de abertura) a 28 de Novembro, realizando-se, se necessário, 12 partidas. O Campeonato termina logo que um dos jogadores faça, no mínimo, 6.5 pontos. Se o Campeonato terminar empatado (6-6), realizar-se-ão (no dia 28) partidas semi-rápidas para decidir o Campeão do Mundo.

Calendário dos jogos:

Data Evento
07-11-2013 Cerimónia de Abertura
09-11-2013 Jogo 1
10-11-2013 Jogo 2
11-11-2013 Dia de descanso
12-11-2013 Jogo 3
13-11-2013 Jogo 4
14-11-2013 Dia de descanso
15-11-2013 Jogo 5
16-11-2013 Jogo 6
17-11-2013 Dia de descanso
18-11-2013 Jogo 7
19-11-2013 Jogo 8
20-11-2013 Dia de descanso
21-11-2013 Jogo 9
22-11-2013 Jogo 10
23-11-2013 Dia de descanso
24-11-2013 Jogo 11
25-11-2013 Dia de descanso
26-11-2013 Jogo 12
27-11-2013 Dia de descanso
28-11-2013 Jogos de Desempate
28-11-2013 Cerimónia de Encerramento

Os jogos começam às 15h00 na India, ou seja, às 9h30 em Portugal.



Todas as informações, assim como os jogos em directo, estão disponíveis na página oficial.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Nacional absoluto 2013 - Luís S. Reis X Bruno Gomes, por Carlos Silva

um excelente trabalho de Carlos Silva, retirado da pagina do mesmo no youtube, com a análise da partida entre Luís S. Silva e Bruno Gomes, jogo referente à 1ª sessão do campeonato nacional absoluto, época 2013




quinta-feira, 18 de julho de 2013

Luis Silva continua a dar boa conta de si no XV Open Internacional de Sant Martí - Barcelona para deleite dos amigos portugueses

 

cartaz XV Aberto Inernacional Sant Martí - 2013

 

À 3ª ronda o Luis foi ao ‘tapete’ ao defrontar, na mesa 7,  o M.I. Asis Gargatagli Hipolito (Elo:2555)
Regista-se, no entanto, a combatividade numa “Benoni” em que o jovem português não estava muito familiarizado com algumas linhas de jogo.

Após o combate, Luis reergueu-se, respirou fundo e, na 4ª jornada, bateu o pé a outro rival de peso, o Mestre Internacional Venezuelano, Jose Sequeira Paolini (Elo:2394) com quem viria a empatar numa Defesa Siciliana, após 49 lances.

Na 5ª ronda, puxou dos galões e de forma temerária atirou-se ao FIDE Master Inglês David Eggleston numa partida em que saiu muito bem da abertura mas cuja fase final foi jogada com muita pressão e alguns nervos à mistura permitindo que o adversário equilibrasse a posição e até tivesse chances de ganhar. Porém, fazendo um gande esforço de concentração voltou a assumir as rédeas do jogo que acabaria por vencer com mérito após 84 movimentos.

O Luís subiu à mesa 14 e hoje, na 6ª ronda, prepara-se para enfrentar o M.I. espanhol Lazaro Lorenzo de la Riva.

BOA SORTE LUÍS.

REPRODUZIMOS A PARTIDA DA 5ª RONDA JOGADA ENTRE LUIS SILVA (POR-2218) E FM DAVID EGGLESTON (ENG-2363)

diagram[1]

quarta-feira, 17 de julho de 2013

XV ABERTO INTERNACIONAL SANT MARTÍ – BARCELONA

Começou no dia 13 de Julho de 2013, no centro cívico de Sant Martí, de Barcelona, a XV edição do Aberto Internacional de Xadrez de Sant Martí. Este torneio pertence ao X Circuito Catalão de Torneios de Verão, organizado pela Federação Catalã de Xadrez. 

No Torneio principal (Grupo A), inscreveram-se 124 atletas, de 26 países, com mais de 70 titulados, dos quais 12 são Grandes Mestres e 24 Mestres Internacionais. 

Luis Silva,  de 18 anos, atleta do NXVSC – Didáxis, é o único português a participar neste evento. A simpatia e amizade que nutrimos por este jovem da nossa Associação Territorial leva-nos a acompanhar, com alguma curiosidade, o seu desempenho neste fortíssimo evento.

As surpresas começaram logo na 1ª jornada onde o GM Cubano Isán Ortiz Suárez, número um do torneio com um elo internacional de 2612, recebeu mate da MI feminina Cristina Salazar Aura.

Poderemos dizer que o Luís Silva entrou bem ao vencer nas duas primeiras rondas o que lhe assegurou, logo à partida, o confronto directo com algumas das ‘feras’ em competição, o que para ele é muito bom.

Após um primeiro jogo acessível contra um adversário ao seu alcance enfrentou na 2ª ronda um Mestre FIDE Indiano, que curiosamente tem a mesma idade mas com mais 200 pts Elo, numa partida que reproduzimos mais abaixo.

Os emparceiramentos e resultados poderão ser seguidos aqui

As partidas decorrem às 16:30 hs (hora de Espanha) e estão carregadas na base de dados do chess-results podendo ser visualizadas aqui

 


luissilva3



XV Aberto Intern Sant Martí - Barcelona
Luis Silva contra (1. e4) responde normalmente com uma Siciliana Najdorf. O seu forte adversário para o surpreender jogou a variante “Moscow” uma Anti-Siciliana.

O Luís não se deixou impressionar e reagiu bem igualando facilmente introduzindo uns táticos muito engraçados para concretizar umas ideias estratégicas. O Mestre FIDE Indiano, foi às ‘cordas’ ficando com apuros de tempo porque teve de procurar soluções adequadas e quando parecia tudo empatado o Luís propôs empate que Anurag rejeitou e, de seguida, fez asneira que o jovem português soube aproveitar.