Federação Portuguesa de Xadrez
ENCONTRO NACIONAL DE XADREZ
Reflexão e Debate
“Vamos pensar o Xadrez”
A 26 de Junho, a Federação Portuguesa de Xadrez, organiza um encontro nacional para todos os intervenientes na prática deste jogo.
Leiria foi o local escolhido, e a FPX pede a presença de todos, neste dia em que se pretende discutir o presente e o futuro da modalidade em Portugal.
Não tenho ainda a certeza se vou estar presente, vou tentar juntar mais 2 ou 3 e se conseguir lá estarei.
O grande assunto em debate será o regulamento de Competições da FPX, e claro, em cima da mesa estarão as competições nacionais de equipas, nomeadamente a 1ª e a 2ª Divisão.
Na próxima época, vamos disputar o nacional da 2ª Divisão, e o primeiro objectivo de quem chega à 2ª divisão nacional, devia ser subir à 1ª. Infelizmente para mim não é um objectivo. Nos moldes correntes, a 1ª divisão nacional não é minimamente atractiva para um clube como o nosso.
Não falo da obrigatoriedade de ter jovens em formação, isso temos com fartura felizmente, mas sim da prova em si e da forma como decorre.
Ter 6/8 jogadores durante uma semana a competir não é fácil. Custa muito dinheiro, e nem sequer existe a garantia de que todos possam lá estar nessa data. Que fazer, contratar? vai custar ainda mais dinheiro, e custará ainda mais, ver uma equipa que consegue a subida de divisão desfeita no ano seguinte, pela impossibilidade dos jogadores disporem de uma semana inteira para o xadrez, ou porque ninguém quer “passar vergonhas” e é melhor jogar pelo seguro e contratar ½ dúzia de GMs.
Por vezes nem gosto que chamem àquilo que temos actualmente de 1ª divisão nacional, preferia que lhe dessem o nome de um torneio qualquer, um dos mais fortes em Portugal sem duvida, mas 1ª divisão nacional???
O que proponho (e começa aqui o meu pequeno contributo para a discussão).
Uma 1ª divisão nacional a decorrer em paralelo com a 2ª e 3ª divisões.
Como?
Temos actualmente 8 séries na 3ª divisão, 4 na 2ª, porque não formar duas séries na 1ª divisão, norte e sul, e depois uma fase final a exemplo do que acontece na 2ª e 3ª divisões?
Será assim tão difícil?, vai perder qualidade?, se calhar, mas vai ser uma 1ª divisão nacional, disso não tenho duvidas, jogada com jogadores a residir em Portugal, ou com mais tempo de permanência no nosso pais, e a consequente aprendizagem que dai todos poderemos retirar.
Sobre a 2ª e 3ª divisões, nada tenho a propor para alterar o seu funcionamento, é minha ideia e de que quem lá joga, que faz ali os seus melhores jogos e aqueles que lhes dão mais prazer. Conseguiu-se criar uma “mística” dos jogos em equipa nessas divisões (na 1ª nunca ouvi ninguém pronunciar-se assim), mas pensando mais um pouco, pouco ou nada se sabe e diz sobre o campeonato nacional da 1ª divisão. Fala-se nele (pouco) enquanto decorre, e quase nada depois que termina.
Uma hipótese seria a criação de uma liga profissional, já vi acontecer noutros desportos e sem grandes sucessos, mas é uma hipótese.
Campeonatos Distritais, aqui penso que podia propor uma pequena alteração, e aqui sim obrigar os clubes (pelo menos os que não têm equipas nos escalões nacionais) a disputa-los. É aqui que tudo começa, é aqui que se começa a criar a mística de que falo mais atrás. Campeonatos para os atletas mais jovens começarem a sua iniciação nos jogos em equipa. 6 Tabuleiros? Porque não. E porque não uma fase seguinte, nacional/regional para as equipa campeãs distritais.
“Grand Prix” Português
Gostava também de ver criado uma espécie de grand-prix Português. Um circuito nacional 4/5 Torneios, divididos pelo pais, fortemente patrocinados pela FPX, em colaboração com as Associações Distritais e as Autarquias que os recebessem. Calendarizado com 2 anos de antecedência, um trabalho a ser desenvolvido pela FPX em parceria com as Associações Distritais, provas a que todos se poderiam candidatar. Nesses torneios teríamos a presença dos jogadores de topo da FPX, e que muito poderiam contribuir para a divulgação da modalidade, e quem sabe até se conseguisse nas mesmas a presença dos grandes nomes do xadrez mundial. Na prática alguns desses torneios já existem, porque não “liga-los” de alguma forma, e permitir a entrada de outras localidades.
Não é fácil, nada o é, não tenho eu nem ninguém a formula mágica para resolver os problemas com que o xadrez se debate. Quero no entanto agradecer à Federação Portuguesa de Xadrez por ter aberto esta janela de oportunidade para que todos possamos discutir e “pensar o xadrez”. Penso e sempre pensei, que só com todos juntos podemos ir em frente.
Parabéns FPX
Cumprimentos
Joaquim Machado
ps. este texto é da minha exclusiva autoria, e não vincula a secção de xadrez do GDR Os Amigos de Urgezes ao mesmo.