domingo, 16 de novembro de 2008

Uma partidinha

Viva!
Podem ver abaixo a minha partida contra a Maria Inês Oliveira, realizada na sexta-feira passada.
Os lances em si não têm nada de especial, e o jogo fica resolvido ao lance 20, quando as pretas perdem uma peça. O desenvolvimento até este lance, no entanto, tem algum interesse, porque, no meu ponto de vista, mostra como devem ser estudadas e preparadas as aberturas. Não isoladamente, mas em conjunto com as estruturas e planos de meio jogo. Posso dizer que mais de metade da minha vitória veio da melhor compreensão da posição resultante da abertura em relação à minha adversária.
Mais uma vez, esta não é uma partida analisada, mas comentada. O Fritz não lhe pôs os olhos em cima, pelo que agradeço todos os comentários às minhas asneiras.



22 comentários:

Carlos Novais disse...

tens aqui uma grande analise.
as pessoas que me andam a mandar as partidas para eu analisar vejam como e analisar uma partida ok?
Cumps,
Carlos Novais

Anónimo disse...

Meu amigo, concordo com a tua introdução, de que se deve estudar as aberturas em conjunto com as estruturas do meio jogo. Agora vou te propor um jogo depois do teu Cbd2:
Eu jogava Be6, Será que h6 ja nao era justificado? tudo bem que ficava com peões dpbrados, mas nao teria compensação pela coluna aberta?
Espero a tua resposta.
Abraço
Miguel Pires

Anónimo disse...

claro que so ficaria com peões dobrados se tomasses

abraço
Miguel Pires

Alex disse...

Carlos, obrigado. Sei que estás a ser simpático. Quando digo que isto não é uma análise, é porque as análises contem variantes e aqui não há nada disso.
Miguel, depois de h6 eu não jogaria Be6. Então, depois que as brancas tomam em e6, a casa g6 é uma cratera! A posição do rei fica muito enfraquecida. Enfim, concretamente, teríamos de analisar variantes, mas conceptualmente parece-me mau.

Carlos Novais disse...

nao estou nada a ser simpatico alex. eu digo isto porque eu propus-me para analisar partidas mas o povo manda-m a partida sem analises e sem planos (tu pelo menos tens planos) o unico problema nas tuas analises e que nao poes outras posibilidades. pareces um jogador de outro mundo entendes?? e que o que tu jogast parece k foi sempre o melhor coisa que nao e verdade.
Cumps,
Carlos Novais

Carlos disse...

Como o Kajo disse, tem aqui uma grande análise, Kajo, um dia destes mando-te uma assim...
Quanto a partida, tive a ver-la melhor e depois de (21. Dxg6; Dd7), podia ter acabado o jogo mais cedo, continuando com o seu raciocinio (22. Cf5; Rh8 23. Bxf7; Ta8 24. Bxh6), acabando com o jogo, caso (24. gxBh6 25. Dg8+), em caso de outra qualquer por parte das pretas, (25. Bxg7+; BxBg7 26. Dg7++), ou seja, a unica forma de evitar seria DxBf7 ou DxCf5, dando em ambos os casos a dama.



p.s. - O meu pai agradece aquela cena do coração.

Anónimo disse...

Boas Mano,
eu disse que jogava 12 Cbd2 Be6 e perguntei o que jogavas. So apartir dai te direi o resto. Se tomas, ou seja 13. Bxe6 eu jogo fxe6 e depois o que jogas?

Abraço
Miguel Pires

PS: E na te preocupes com o buraco de g6

Anónimo disse...

Quanto ao que o Cajo te disse "pareces um jogador de outro mundo", prefiro antes dizer que pareces o Karpov. Em muitas partidas parece que de uma forma misteriosa ele deu a volta ao jogo e ganhou. É um pouco que me lembras. Mas aprendemos sempre quando lemos os teus comentarios, disso nao tenho duvida. Talvez por me lembrares o Karpov é que tento encontrar algo pra te contrariar
Acho que deverias dar algumas alternativas às jogadas.

Abraço
Miguel Pires

PS: E depois da recente transferencia por um pão com queijo ainda pior

PSPS: Isto só entende quem esteve no jantar do torneio da amizade.

Miquinhas disse...

O Mano fez um comentário muito interessante da partida! Mostra o que sentiu durante o jogo, o que pensou e o que tentou fazer. Como ele fez questão de dizer (e bem) isto não é uma análise como as dos livros (pelo menos a maior parte) ou revistas em que se fartam de mostrar inúmeras variantes, mas onde a maior parte das vezes não se evidenciam as ideia/planos!
O que ele não disse na introdução é que a vitória foi muito importante, já que estávamos num jogo por equipas. Ele foi o primeiro a acabar, o que nos permitiu jogar mais serenamente nos outros tabuleiros!
Já agora, aquele bispo em b3 foi um autêntico bispo à Machado. :)
Caro Miguel, tomo a liberdade de te convidar publicamente para jogador do nosso clube! Não tenhas receio que aqui não há só pão com queijo, de vez em quando também temos fiambre (e uma vez por outra, até há presunto)! :) Serás sempre bem-vindo!

Anónimo disse...

KAKAKAK.
Eu disse que iria se fosse de lavagante para cima. Como o Viana disse estamos noutro nivel!! (quem esteve no jantar percebe)
Agora a serio, até hoje tenho sido sempre bem recebido e espero continuar a ser.
Quanto as "criticas" (independentemente de quem as tenha feito) acho que é só para ajudar o Mano, ou outro que queira anotar. Julgo que se deve pelo menos dar alternativas.

Abraço
Miguel Pires

Joaquim Machado disse...

Boa noite.
Meus caros, permitam-me a intromissão na "conversa", nomeadamente no que diz respeito ao prémio (leia-se sandes de queijo) dos jogadores.
Infelizmente atravessámos tempos de grande crise, e a partir desta data, apenas poderemos oferecer pão com manteiga (e eventualmente planta), é pena mas nos dias de hoje não dá para mais.

Quanto ao jogo e à análise do Alexandre Mano.
É sempre bom saber o que pensa um jogador durante uma partida e porque move esta ou aquela peça. Claro que por muito que se pense ou analize determinada posição durante o jogo, temos sempre aquele pormenor de o jogo ser disputado por dois, e normalmente o lance do nosso adversário nos deitar por terra todo o nosso plano, que tanto tempo nos leva a elaborar. Mas esse é o encanto do jogo. Gostei de ler e julgo que muitos dos nossos jovens jogadores devem daí tirar uma importante lição. O Alexandre Mano preparou esta partida, estudou o adversário, e preparou-se para o jogo, EXEMPLO a seguir pelos nossos atletas, porque só assim poderão evoluir e alcançar cada vez mais vitórias. Por mais que o digamos, torno a dizer, A ANÁLISE ANTES E DEPOIS DOS JOGOS, É UM DOS FACTORES MAIS IMPORTANTES NUM JOGO DE XADREZ. Só esse trabalho, continuado no tempo, faz com que um jogador aprenda com os erros cometidos e os corrija.
Foi como disse o Vitor, uma vitória importante, num jogo de equipa e num confronto daqueles que dão gosto disputar. Ganhamos, como poderiamos ter perdido, foi sem duvida uma noite de emoções. Gostava nesta altura de ter a capacidade de análise do Miguel Pires, para poder aqui tambem transmitir tudo quanto se ia passando nos outros tabuleiros, e como custou até chegarmos à vitória final.
Quanto aos comentários a esta partida, julgo que um dos objectivos do Alexandre mano, é precisamente que lhe digam onde errou e como poderia/pode melhorar, infelizmente não tenho capacidade para isso, mas por certo por aqui haverá muito quem a tenha.

Cumprimentos.
Joaquim Machado

Joaquim Machado disse...

Esqueci-me de dizer algo, e que tem a ver com o facto de um dia destes termos um pouco de sorte e aparecer por aqui a Maria Inês Oliveira, contando-nos uma história completamente diferente, em que afinal era Ela quem estava a dominar o jogo até determinado lance que provavelmente por uma qualquer razão lhe escapou.
Quem sabe... pode ser que tenhamos essa sorte.
Cumprimentos
Joaquim Machado

Alex disse...

OK, Cajó, já percebi. Como o Vítor disse, a ideia aqui é mais transmitir as ideias e sentimentos que me ocorreram durante o jogo do que a correcção das análises. Mesmo porque para fazer alguma análise com qualidade teria de recorrer a software, porque sozinho eu não chego lá. Mas é óbvio que os meus lances não são todos bons, e eu tentei referir isto. Mas no contexto foram, tanto que eu ganhei ;) Mas obrigado pelos comentários. Mesmo depois de limpar os campeonatos todos não te esqueceste dos pobres cá em baixo, e eu aprecio isto numa pessoa.
Miguel, estás-me a obrigar a ir buscar um tabuleiro para te responder. Deixa ver, depois de 12. Cbd2 Be6 13. Bxe6 fxe6 eu jogava 14. Cf1.
Vítor, o fiambre ainda não vi, quanto ao presunto nem tinha ouvido falar. Afinal, tu andas a comer melhor do que eu. Posso ver o teu contrato? ;)

Joaquim Machado disse...

Mais uma coisinha, e em resposta a um comentário do Vitor, sobre o bispo "à Machado".
Há no conjunto dos quatro jogos disputados uma partida em que efectivamente o "bispo à Machado" mostrou toda a sua força.
Com sorte pode ser que alguem o apresente.
Deixo aqui um cheirinho, falo de um bispo que esteve imovél desde o seu 1º movimento, mas que na fase decisiva do jogo, mostrou toda a sua força, e se tornou decisivo para mais uma vitória.

Cumprimentos
Joaquim Machado

Anónimo disse...

Miguel....my Man

Toma cuidado, há pouco só tinham Pão com queijo e com Mantiga, agora já se falou em pão com fiambre.... humm... vê lá, se insistires um bocado mais aínda comes pão com Salpicão.

Ass.: aipoisé

Anónimo disse...

Alex,
Eu ja tinha o tabuleiro montado!
14. Cf1 Cd4

aipoisé,
Tas muito divertido tas...

Machado,
Pão com Planta??? Pelo preço que está a planta mais vale tulicreme

Abraço
Miguel Pires

PS: Alex espero a continuação

Anónimo disse...

Machado,
Quanto a: "Gostava nesta altura de ter a capacidade de análise do Miguel Pires, para poder aqui tambem transmitir tudo quanto se ia passando nos outros tabuleiros, e como custou até chegarmos à vitória final", qualquer um consegue basta também olhar para as mesas do lado. :)

Agora gostava de ver a partida do bispo á Machado...

Abraço
Miguel Pires

Alex disse...

Miguel: 15. c3

Anónimo disse...

Alex: Cxf3+ se Dxf3 então De8

Abraço
Miguel Pires

Anónimo disse...

Meu amigo proponho as seguintes continuações:

Se 17. Dg3 Df7; Se 18. Bh6 Ch5; Se 19. Dg4 Dxf2+; 20. Rh1 e Df7

Se 17 Bh6 gxh6; se 18 Dg3+ Rh7 e o jogo ta perdido

Acho que, na 1ª. (julgo que é a mais correcta) as brancas não têm nada pra mostrar e o jogo esta igualado. O principio usado foi o mesmo (com as devidas diferenças na posição) que utilizei contra alguns oponentes em sicilianas.

No caso concreto julgo que as negras igualaram pelos seguintes pontos (minha opnião):

a) A suas peças têm mais pontos de entrada e estão junto ao seu rei, e caso seja possivel lançar o ataque as torres podem entrar mais rapidamente.

b) controlam mais territorio na ala da dama o que num final, e trocando as peças pesadas poderá ser uma vantagem.

c) a debilidade nas casa brancas é, na minha opnião, despresavel pela falta do bispo de cores brancas.

Que achas tu?

Abraço,
Miguel Pires

PS: Quando é que tendes treinos? Posso me fazer convidado?

Alex disse...

Viva, Miguel,
Esta 1ª variante diz muito da forma como nós pensamos no tabuleiro. Eu provavelmente nunca entraria nesta variante, porque parece-me muito arriscada. Aliás, ao jogar c3, estava a pensar prosseguir (após a troca de cavalos) com Ch2 e não com Dg3. Nem me passaria pela cabeça jogar o bispo para h6. É por isso que analisar com outro jogador é interessante. Enquanto eu estava a pensar aproveitar as debilidades em g6, e6 e h6, tu viste como avenidas de ataque para as pretas. Ou, por outro lado, eu olho para e6 e vejo um peão débil, enquanto tu vês um peão que deixou a coluna f aberta para as torres.
Parece-me que na posição final da variante que viste as pretas não só igualaram, como estão melhor. Tanto mais porque depois de Cf4 eu não vejo alternativa para as brancas senão trocar bispo por cavalo e o bispo preto que sobra vai dominar o cavalo branco.
Quando nos encontrarmos podemos trocar outras ideias sobre a posição.

Anónimo disse...

Tenho que concordar contigo que temos perspectivas diferentes no tabuleiro. Segui esta linha (que provavelmente jogaria no tabuleiro mas não com tanta precisão/certeza) apenas para dizer que h6 para mim não é um lance fraco. Segundo a teoria parece que o normal é reptir lances, agora num evento por equipas ninguem pode ir para o jogo para empatar, logo h6 é um lance normal, que não invalida o querer jogar para ganhar.
Foi apenas isso que quis demonstrar com uma linha diferente da do jogo, mais agressiva.
Mas tenho que admitir que é diferente estar com a pressão do jogo, do relogio, e estar em casa a analisar mexendo peças para aqui e para ali (não sei se o fizeste, mas eu fiz) e tentando arranjar uma linha para contrariar o jogo das brancas (tipo xadrez por correspondencia), enquanto no jogo ambos tiverem de o fazer mentalmente. Sem duvida ganhaste bem, mas h6, julgo eu e por esta linha (independentemente de jogares Dg3 ou Ch2) não acho um erro. Ja agora depois de Ch2 eu jogaria Ch5 com ideia de mais a frente jogar Cf4

Abraço
Miguel Pires